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Dor Pélvica Crônica

Dor pélvica é aquela que ocorre na região entre o abdome inferior e o assoalho pélvico. Esta dor atinge principalmente mulheres em idade fértil, embora possa atingir ambos os sexos.

Em torno de 15% das mulheres têm dor pélvica em algum momento de suas vidas, mas é nomeada dor crônica pélvica (DCP) quando é recorrente e contínua. Um estudo no Reino Unido revelou que 3,8% das mulheres são acometidas por dor crônica pélvica com uma prevalência igual à registrada para asma e lombalgia.

 

Dor apenas ginecológica?

Muitos tratavam esta dor de uma perspectiva ginecológica, mas, com o avanço das pesquisas científicas sobre o tema, os investigadores foram descobrindo que a dor também pode ter origem não ginecológica.

Dor nociceptiva

Um dos exemplos que Shulman citou foi a dor urológica resultante de cistite intersticial. Cirurgias terapêuticas para incontinência urinária também podem dar origem à dor pélvica crônica.

Outro exemplo é a dor muscular, que pode originar nos músculos abdominais profundos ou da musculatura do assoalho pélvico, caracterizando assim uma de síndrome de dor miofascial.

Dor neuropática

A DPC neuropática pode ocorrer como sequela de uma cirurgia, por exemplo, um reparo de hérnia inguinal. Existe também a dor idiopática onde desconhecemos a causa da dor.

Dor psicogênica

A dor psicogênica é bastante rara e só existe no imaginário da pessoa. Pode ter origem em distúrbios afetivo-emocionais ou em alguns casos até ser resultado de trauma ou abuso sexual.

 

Diagnóstico e Tratamento

Está evidente que, como a DPC pode ter origem em diversas causas, para se chegar em um diagnóstico específico é preciso uma investigação cuidadosa com o envolvimento de uma equipe interdisciplinar.

É necessário acolher o paciente, ouvir sua história, realizar um exame clínico, com atenção especial aos sistemas gastrointestinal, urinário, ginecológico, músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endócrino.

Outros fatores a serem considerados seriam a avaliação biopsicossocial do paciente e a realização de testes de imagem como ultrassonografia diagnóstica ou ressonância magnética e nos casos de suspeita da dor miofascial, fisioterapia urogenital. Convidarei em tempo oportuno uma fisioterapêuta para nos falar de sua experiência.

Adicionalmente, enfatizamos que, embora úteis, procedimentos cirúrgicos específicos, tais como a laparoscopia, deveriam ser indicados para pacientes selecionadas, após excluir principalmente síndrome do intestino irritável e dor de origem miofascial.

 

Como o médico intervencionista ajuda?

1. Tem papel decisivo no correto diagnóstico e tratamento da dor pélvica crônica mediante a utilização dos bloqueios terapêuticos.

A utilização dos bloqueios diagnósticos pode ser muito útil em diferenciar o tipo de dor que está presente: uma dor visceral, uma dor neuropática ou uma dor de muscular (de parede). O bloqueio diagnóstico pode ser realizado para testar a hipótese de que determinada estrutura seja a fonte da dor do paciente. A ideia é verificar se o bloqueio alivia a dor. Se sim, então sabemos que aquela é a causa da dor.

Entre os bloqueios diagnósticos estão o bloqueio do plexo hipogástrico superior (Patt, Plancarte,1996)³, do gânglio ímpar, infiltrações musculares e bloqueios de nervos periféricos como o pudendo, genitofemural, obturador.

 

2. Realizar o controle da dor utilizando técnicas intervencionistas terapêuticas.

Feito o diagnóstico pela equipe interdisciplinar, é instituído o tratamento de controle da dor na forma de bloqueios terapêuticos:

– bloqueios anestésicos ou neurolíticos

– bloqueios com radiofrequência pulsada

– injeções de toxina botulínica (BTx-A)

– implantação de estimuladores medulares ou de nervos periféricos; bombas de infusão espinhal de fármacos.

 

Todos estes procedimentos devem ser feitos com o paciente acordado, sob sedação, e guiados por radioscopia ou ultrassonografia.

A detecção e diagnóstico nos estágios iniciais da causa específica da dor pélvica crônica permite a instituição de um programa de controle da dor enquanto as causas são tratadas, possivelmente poupando o paciente de sofrimento desnecessário. As dores pélvicas crônicas são um desafio e tratar dentro de uma equipe multidisciplinar acelera a velocidade do tratamento.